Gosto de gente que me atire à cara que eu não sou assim.
Assim como?
Assim, como eu mostro ser.
Assim, como eu faço questão de mostrar que sou, fora deste meu cantinho das linhas atabalhoadas em fundo escuro, onde escrevo o que penso, que falar é para os fortes.
Por outro lado, há também muita gente que me (des)conhece bem, que eu sei que nunca aqui virá.
Gente que só conhece o lado que lhes mostro à força, que lhes enfio pela garganta abaixo.
O lado que lhes atiro para cima antes de me avaliarem, antes de considerarem fazê-lo ou de eu pensar se o irão fazer sequer.
O meu melhor lado, que chega bem para quem não iria gostar dos outros.
O lado que fui criando ao longo do tempo, juntando clichés com piadas fáceis e sorrisos convenientemente temporizados. O lado que só parece genuíno a quem agrada. O lado que me mantém no sítio se me sair alguma coisa dos outros, quando não deve.
Há muita gente com quem convivo frequentemente, que nunca aqui porá os olhos.
E ainda bem.
Não os quero aqui para nada.
Não quero ver olhos esbugalhados de braço dado com frases começadas por “eu nunca pensei que…”.
Não quero aqui gente que pensasse que “também tenho este lado”.
Há gente que gosto de manter assim, lá fora, a pestanejar nas minhas chuvadas de superficialismo.
Há muita gente, mesmo.
Dei-me até ao trabalho de dar a cara no meu cantinho e de o disponibilizar a todos.
Esconder-me, para quê?
Faço isso no dia-a-dia.
Rego as plantas do meu quintal, elas deliciam-se e nem querem mais.
Às vezes também me farto delas, admito, e arranco-as, para lá pôr qualquer coisa que dê fruto, ou mais erva, para as regar outra vez.
“Eishh, que o gajo agora exagerou.”
Era escusado… Pois era.
Não era?
Não.
Se era, párem por aqui, por favor.
Fiquem lá fora, que a chuva faz bem às couves.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
Ego
O que é o ego?
Descartando definições e sinónimos formais, o ego é geralmente entendido como a ideia e opinião que temos de nós próprios, tanto física como psicologicamente.
O que cria/molda o ego?
Humores, climas, o espelho, mentalidades e, principalmente, os outros.
Ah pois… os outros. Os outros influenciam (e bem) o mais comum dos egos… basta um elogio ou uma crítica destrutiva, e lá anda o ego para cima e para baixo.
Ora, eu acho que isto não é nada fofo, e por isso introduzo a minha noção de ego:
“Capacidade de relativizar as opiniões alheias.”
Deves estar a pensar: “Ah mas ouve lá, então mas que tem isso a ver com opinião própria?”
Calma!
Posso?
Ora, então… prosseguindo, desta vez sem interrupções (espero).
Certamente, já viste muita gente abrir a boca só para dizer dizer que “Eu não me importo nada com o que os outros pensam”, não? Claro que já, e ironicamente, esta pérola advém sempre da necessidade que temos de influenciar os outros a pensarem que não temos necessidade de influenciar o que eles pensam…
Vou deixar uma linha em branco só para leres a frase anterior com calma, já que está algo confusa.
Afinal foram duas. Tens, por isso, obrigação de a ter percebido bem.
O meu ego dita a diferença entre o “ele disse aquilo sobre mim, será que é mesmo verdade? Ai Jesus de Nazaré!” e o “ele disse aquilo sobre mim, e soou mesmo a pedir por favor para que eu goze com a cara dele de uma forma que não perceba”.
O meu ego filtra, alimenta-se do que gosta, e retém o que não gosta, para avaliar, reflectir e aprender, ou simplesmente descartar, se não passarem de frustrações alheias verbalizadas.
O meu ego sou eu.
Isso mesmo.
Eu.
E não os outros.
Se o meu ego fosse os outros, ele não seria o meu ego… seria, claro está, os outros.
Tenho um ego bastante influenciável, mas só por mim.
Ora toma.
Descartando definições e sinónimos formais, o ego é geralmente entendido como a ideia e opinião que temos de nós próprios, tanto física como psicologicamente.
O que cria/molda o ego?
Humores, climas, o espelho, mentalidades e, principalmente, os outros.
Ah pois… os outros. Os outros influenciam (e bem) o mais comum dos egos… basta um elogio ou uma crítica destrutiva, e lá anda o ego para cima e para baixo.
Ora, eu acho que isto não é nada fofo, e por isso introduzo a minha noção de ego:
“Capacidade de relativizar as opiniões alheias.”
Deves estar a pensar: “Ah mas ouve lá, então mas que tem isso a ver com opinião própria?”
Calma!
Posso?
Ora, então… prosseguindo, desta vez sem interrupções (espero).
Certamente, já viste muita gente abrir a boca só para dizer dizer que “Eu não me importo nada com o que os outros pensam”, não? Claro que já, e ironicamente, esta pérola advém sempre da necessidade que temos de influenciar os outros a pensarem que não temos necessidade de influenciar o que eles pensam…
Vou deixar uma linha em branco só para leres a frase anterior com calma, já que está algo confusa.
Afinal foram duas. Tens, por isso, obrigação de a ter percebido bem.
O meu ego dita a diferença entre o “ele disse aquilo sobre mim, será que é mesmo verdade? Ai Jesus de Nazaré!” e o “ele disse aquilo sobre mim, e soou mesmo a pedir por favor para que eu goze com a cara dele de uma forma que não perceba”.
O meu ego filtra, alimenta-se do que gosta, e retém o que não gosta, para avaliar, reflectir e aprender, ou simplesmente descartar, se não passarem de frustrações alheias verbalizadas.
O meu ego sou eu.
Isso mesmo.
Eu.
E não os outros.
Se o meu ego fosse os outros, ele não seria o meu ego… seria, claro está, os outros.
Tenho um ego bastante influenciável, mas só por mim.
Ora toma.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Precisamos de falar… não achas?
“Não sei… Precisamos?” Perguntou ela, com olhos de criança inocente, que se quer fazer passar por surpreendida.
“Pois precisamos…”
E precisávamos mesmo.
Eu sentia que não aguentava mais… estavas a sufocar-me com o teu mundo de esperanças e réplicas minhas canonizadas a teu gosto.
És mais uma… que novidade. Atrais-me, crias-me desejo, apetece-me ter mais de ti, mas não tanto como esperavas.
E, como a maioria, não notas que não sou como tu…
“És como eu, pois…eu sinto-o, deixa-me mostrar-to”
Não.
Não sou como tu.
Acredita.
Achas-me simpático, disponível, confiante, algo crítico e tudo o mais, mas nem notas que tudo isso faz parte do meu escudo.
Exacto.
Esse é o meu escudo. O meu escudo é simpático, disponível, confiante, algo crítico e tudo o mais. Eu sou só muito crítico, e tudo o menos, mas não to mostro. Não serviria de nada... Para quê conheceres um ser que não te quer ouvir a toda a hora, que sorri quando se sente negro, que transborda confiança quando tem o coração nas mãos e cujo cérebro processa criticismo à velocidade da luz?
Foi o que pensei…O meu escudo é bem mais atraente do que eu, e é por isso que o uso para me cobrir todos os ângulos. Desculpa se não to posso oferecer… Só para mim ele consegue ser útil, de qualquer forma…
Porquê? Porque sem ele sou mais um aos olhos de todos os outros uns, e não suporto isso.
Simples.
O meu escudo não reage, pondera. Não ouve, escuta. Não olha, vê. E não se envolve… colecciona sentimentos epidérmicos.
Eu? Eu nem chego a ter voto na matéria, quando o uso… para que me serviria ter, de qualquer forma? Se me apaixonasse, não seria recíproco. Preferirias sempre o eu da linha da frente… e não te condeno por isso, afinal sou eu que o crio, a teu gosto, e a gosto de quem me apetece, quando me apetece.
É… As pessoas crescem, e os sentimentos calejam. Talvez se tivesses aparecido mais cedo… bem mais cedo, digo eu.
“Anda tentar, pelo menos, então…”
Não posso.
Tenho noção de que não sentirei… conheço-me, e sei que não estarei bem assim, comigo a querer, e tu a sentires.
Além disso, escuso de te dizer que sentimentos desses não se extinguem com contactos frequentes e consequentes esperanças que vêm sempre por arrastão. E também tu escusas de me dizer que é difícil para ti, porque já o sei.
Sabia-o de cor, até… daí o silêncio naquele momento reservado para o que não queríamos dizer, e termos ficado ali, só a olhar-nos, à espera do próximo…
Mas o próximo não chegava por nada, e deu lugar a dois sorrisos forçados - dos que escondem mal as verdades - ironicamente sincronizados.
Não me interpretes mal… ainda me apeteces. Simplesmente não ao ponto de brincar com o que sentes.
Apeteces-me.
E deixavas-me… por isso, eu bem podia.
Mas não consigo.
“Pois precisamos…”
E precisávamos mesmo.
Eu sentia que não aguentava mais… estavas a sufocar-me com o teu mundo de esperanças e réplicas minhas canonizadas a teu gosto.
És mais uma… que novidade. Atrais-me, crias-me desejo, apetece-me ter mais de ti, mas não tanto como esperavas.
E, como a maioria, não notas que não sou como tu…
“És como eu, pois…eu sinto-o, deixa-me mostrar-to”
Não.
Não sou como tu.
Acredita.
Achas-me simpático, disponível, confiante, algo crítico e tudo o mais, mas nem notas que tudo isso faz parte do meu escudo.
Exacto.
Esse é o meu escudo. O meu escudo é simpático, disponível, confiante, algo crítico e tudo o mais. Eu sou só muito crítico, e tudo o menos, mas não to mostro. Não serviria de nada... Para quê conheceres um ser que não te quer ouvir a toda a hora, que sorri quando se sente negro, que transborda confiança quando tem o coração nas mãos e cujo cérebro processa criticismo à velocidade da luz?
Foi o que pensei…O meu escudo é bem mais atraente do que eu, e é por isso que o uso para me cobrir todos os ângulos. Desculpa se não to posso oferecer… Só para mim ele consegue ser útil, de qualquer forma…
Porquê? Porque sem ele sou mais um aos olhos de todos os outros uns, e não suporto isso.
Simples.
O meu escudo não reage, pondera. Não ouve, escuta. Não olha, vê. E não se envolve… colecciona sentimentos epidérmicos.
Eu? Eu nem chego a ter voto na matéria, quando o uso… para que me serviria ter, de qualquer forma? Se me apaixonasse, não seria recíproco. Preferirias sempre o eu da linha da frente… e não te condeno por isso, afinal sou eu que o crio, a teu gosto, e a gosto de quem me apetece, quando me apetece.
É… As pessoas crescem, e os sentimentos calejam. Talvez se tivesses aparecido mais cedo… bem mais cedo, digo eu.
“Anda tentar, pelo menos, então…”
Não posso.
Tenho noção de que não sentirei… conheço-me, e sei que não estarei bem assim, comigo a querer, e tu a sentires.
Além disso, escuso de te dizer que sentimentos desses não se extinguem com contactos frequentes e consequentes esperanças que vêm sempre por arrastão. E também tu escusas de me dizer que é difícil para ti, porque já o sei.
Sabia-o de cor, até… daí o silêncio naquele momento reservado para o que não queríamos dizer, e termos ficado ali, só a olhar-nos, à espera do próximo…
Mas o próximo não chegava por nada, e deu lugar a dois sorrisos forçados - dos que escondem mal as verdades - ironicamente sincronizados.
Não me interpretes mal… ainda me apeteces. Simplesmente não ao ponto de brincar com o que sentes.
Apeteces-me.
E deixavas-me… por isso, eu bem podia.
Mas não consigo.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Em tom de segredo...
Refugio-me muito na racionalidade.
A sério.
Nada parece digno de sentimentos negativos quando visto como um todo e excluindo pontos de vista.
Sempre fiz o possível por pensar muito sobre muito, e tenho-me apercebido de que isso me tira o gozo do carpe dien. Conclusão óbvia… dirias tu, mas não penso que assim seja, ou pelo menos que assim tanto seja.
Sentimentos de alegria, posse, perda, amor, ódio, orgulho, arrependimento, ou de qualquer outro tipo tendem para desaparecer quando pensamos na situação como consequência de algo que nos não nos tenha sido inerente, ou até mesmo que tenha, mas, no 2º caso, rapidamente se percebe que o que sentimos não irá alterar a realidade. E é então que a racionalidade toma conta, e os sentimentos se tornam lógicos, consequências óbvias, desnecessárias, sem objectivo, e assim perdem a razão de ser.
É o que faço quando quero evitar dor, e por vezes vejo-me a não sentir prazer pelo mesmo motivo. Já me é inato, preparei-me para isso, e não é raro o piloto automático tomar controlo sem me pedir sequer.
E, nesse mundo, finjo que me alegro, e que tenho, e que perco, e que amo, e que odeio, e que me orgulho, e que me arrependo como os outros, mas não.
Não como os outros, não com vontade, não sem o plano B tanto à mão que nem chegue a libertar o A.
Mas há alturas em que o piloto se distrai, ou não se alerta por nem eu, aliciado pelos prazeres traiçoeiros do sentir, não querer que o faça, e é aí que sinto como os tantos outros, é aí que não vejo para além dos meus olhos, e que o meu cérebro se limita a receber e a beber, sem filtrar minuciosamente. E é também nessas alturas que me lembro da segura viagem controlada e desinteressantemente relativada, e que me lembro de que a qualquer altura poderei precisar do meu piloto, e que ele poderá não acordar tão rapidamente como irei querer.
É nessas alturas que me vejo enredado por sensações não lógicas, cheias de sentido, tentando voltar ao meu mundo racionalmente desinteressante, onde não sinto, não rio, não choro, não nada, mas que também já não me quer, por o ter traído por demasiado tempo.
Mas acabo sempre por regressar, e por olhar com indiferença para o que outrora me fazia entristecer, e por perder um pouco mais daquilo que me faz humano, como aqueles que se alegram, que têm, que amam, que odeiam, que se orgulham, e que se arrependem, e dos quais só me rio por ausência de pena própria, por não conseguir viver somente do outro lado, por ser forte a analizá-los e a evitar essa debilidade que não consideram sequer evitável, mas fraco ao ponto de usar essa força em demasia, não os querendo perceber. Não a toda a hora.
E é isso.
E mais, que não digo.
A sério.
Nada parece digno de sentimentos negativos quando visto como um todo e excluindo pontos de vista.
Sempre fiz o possível por pensar muito sobre muito, e tenho-me apercebido de que isso me tira o gozo do carpe dien. Conclusão óbvia… dirias tu, mas não penso que assim seja, ou pelo menos que assim tanto seja.
Sentimentos de alegria, posse, perda, amor, ódio, orgulho, arrependimento, ou de qualquer outro tipo tendem para desaparecer quando pensamos na situação como consequência de algo que nos não nos tenha sido inerente, ou até mesmo que tenha, mas, no 2º caso, rapidamente se percebe que o que sentimos não irá alterar a realidade. E é então que a racionalidade toma conta, e os sentimentos se tornam lógicos, consequências óbvias, desnecessárias, sem objectivo, e assim perdem a razão de ser.
É o que faço quando quero evitar dor, e por vezes vejo-me a não sentir prazer pelo mesmo motivo. Já me é inato, preparei-me para isso, e não é raro o piloto automático tomar controlo sem me pedir sequer.
E, nesse mundo, finjo que me alegro, e que tenho, e que perco, e que amo, e que odeio, e que me orgulho, e que me arrependo como os outros, mas não.
Não como os outros, não com vontade, não sem o plano B tanto à mão que nem chegue a libertar o A.
Mas há alturas em que o piloto se distrai, ou não se alerta por nem eu, aliciado pelos prazeres traiçoeiros do sentir, não querer que o faça, e é aí que sinto como os tantos outros, é aí que não vejo para além dos meus olhos, e que o meu cérebro se limita a receber e a beber, sem filtrar minuciosamente. E é também nessas alturas que me lembro da segura viagem controlada e desinteressantemente relativada, e que me lembro de que a qualquer altura poderei precisar do meu piloto, e que ele poderá não acordar tão rapidamente como irei querer.
É nessas alturas que me vejo enredado por sensações não lógicas, cheias de sentido, tentando voltar ao meu mundo racionalmente desinteressante, onde não sinto, não rio, não choro, não nada, mas que também já não me quer, por o ter traído por demasiado tempo.
Mas acabo sempre por regressar, e por olhar com indiferença para o que outrora me fazia entristecer, e por perder um pouco mais daquilo que me faz humano, como aqueles que se alegram, que têm, que amam, que odeiam, que se orgulham, e que se arrependem, e dos quais só me rio por ausência de pena própria, por não conseguir viver somente do outro lado, por ser forte a analizá-los e a evitar essa debilidade que não consideram sequer evitável, mas fraco ao ponto de usar essa força em demasia, não os querendo perceber. Não a toda a hora.
E é isso.
E mais, que não digo.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Dói-me.
Tanto.
Cá dentro, onde não chego nem vejo.
Dói-me onde eu nem sabia que existia, mais do me julgava deixar.
Dói-me um doer infantil, dos que ardem mas não curam, por nunca antes terem doído.
Dói-me.Tanto…
Nalgum lugar que ignoro.
Qualquer sítio, cá para dentro, entranhado, longe dos que já sei como doer.
Dói-me, e não aprendo a doê-lo, só o sinto, longe, mas por aqui.
Sinto-o e dói-me naquele sítio que nem conheço.
Dói-me muito, juro.
Só não sei dizer onde.
Cá dentro, onde não chego nem vejo.
Dói-me onde eu nem sabia que existia, mais do me julgava deixar.
Dói-me um doer infantil, dos que ardem mas não curam, por nunca antes terem doído.
Dói-me.Tanto…
Nalgum lugar que ignoro.
Qualquer sítio, cá para dentro, entranhado, longe dos que já sei como doer.
Dói-me, e não aprendo a doê-lo, só o sinto, longe, mas por aqui.
Sinto-o e dói-me naquele sítio que nem conheço.
Dói-me muito, juro.
Só não sei dizer onde.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Poesia (?) daquela inexperiente
Por vezes sinto, não como dantes.
Durante momentos eternos na hora.
Imagino ser como outrora,
Mas o sentir dura instantes.
Lembro, vagamente,
O sentir de alma pura,
Lembro, somente.
O sentir já não perdura.
Sinto, mas pouco,
E fugazmente.
Ou finjo sentir como um louco,
Em jeito de forçar a mente,
Farsa, comédia, cenas de um acto,
Esperando vir a sentir de facto.
Não sinto, ponto final.
O sentir perde-se no caminho,
E nem o guio, perca-se sozinho,
Fico eu e o racional.
Não sinto. Nem quero,
Que sentir agita a alma
A minha anseia calma,
E quando sinto, desespero.
Talvez nem sinta mais, mesmo.
Talvez seja esse o meu sesmo.
Não sinto.
Não por não querer,
Mas por já não mais saber.
Durante momentos eternos na hora.
Imagino ser como outrora,
Mas o sentir dura instantes.
Lembro, vagamente,
O sentir de alma pura,
Lembro, somente.
O sentir já não perdura.
Sinto, mas pouco,
E fugazmente.
Ou finjo sentir como um louco,
Em jeito de forçar a mente,
Farsa, comédia, cenas de um acto,
Esperando vir a sentir de facto.
Não sinto, ponto final.
O sentir perde-se no caminho,
E nem o guio, perca-se sozinho,
Fico eu e o racional.
Não sinto. Nem quero,
Que sentir agita a alma
A minha anseia calma,
E quando sinto, desespero.
Talvez nem sinta mais, mesmo.
Talvez seja esse o meu sesmo.
Não sinto.
Não por não querer,
Mas por já não mais saber.
sábado, 11 de setembro de 2010
Os Condutores de Fim-de-Semana
São uns seres com que todos nós nos cruzamos semanalmente, nunca tendo eu, estranhamente, escrito sobre eles.
Aqui está, então, tal como merecem.
O Condutor de Fim-de-Semana (de agora em diante definido como CFS, para facilitar e poupar bytes, que isto da crise calha a todos) é muito facilmente identificado, devido ao seu veículo, por qualquer pessoa que conduza diariamente.
Ora reparem:
Tem de ter um carro antigo, daqueles que não se trocam porque residem na garagem, da qual só saem ao fim-de-semana para fazer o gosto ao pé do piloto e, consequentemente, não se deterioram, porque as Marias lhes puxam o lustro todas as 6ªs feiras à tarde.
Tem de deitar muito fumo pelo escape.
Muito mesmo, que o fumo não se evita com puxadelas de lustro.
O CFS tem, portanto, um carro com cerca de 26 anos e meio que aparenta ter acabado de sair do stand, mas que fumega mais que o Vesúvio durante aquela altura do nevoeiro em pompeia.
Em relação ao condutor em si, é necessário que a utilização dos piscas seja aleatória e independente das manobras, o ponto de embraiagem seja feito de forma a ouvir-se à distância a que se consegue ver o fumo (um não tem o mesmo efeito aquando da ausência do outro, quando o tema da condução pós semanal se discute) e que a velocidade nunca exceda os 30 km/h, o que nos remete para o próximo factor essencial e indispensável para que alguém possa ser considerado um genuíno CFS:
“O travar”.
Quando digo “o travar”, não me refiro ao simples acto de pisar o pedal do travão quando é necessário reduzir a velocidade ou parar o carro, mesmo.
Não.
Refiro-me a um acto mais instintivo do que a respiração em si, como que se o pé direito do piloto ali, repousado no pedal do meio, pertencesse.
Exacto.
O verdadeiro CFS trava como quem pisca os olhos, tendo ainda menos necessidade de justificar o travar do que o pestanejar.
O CFS de gema trava porque sim, trava porque não, trava porque está numa descida, trava porque está numa subida, trava “porque aí vem uma rotunda”, trava porque está a sair de uma rotunda, trava porque “aqui não há rotundas”, trava porque “ali vem um carro”, mesmo que seja na faixa contrária, trava porque “não vem nenhum carro, mas eles aparecem aí que nem coelhos, que eu sei, porque não nasci ontem e já conduzo duas vezes por semana vai para mais de vinte anos”, trava porque lhe apetece virar ali, trava porque “não apetece virar ali, mas pode vir a apetecer quando lá estiver mesmo em cima, que isto de mudar de direcção não é nenhum projecto de vida e pode e deve, por isso mesmo, ser decidido na hora H, conjuntamente com a utilização de qualquer um dos piscas”, trava porque está um semáforo lá ao fundo, trava porque “não há semáforos aqui, e isso é um perigo, por isso é melhor ir travando já, para que quando precisar mesmo de o fazer, já esteja feito”.
Segurança acima de tudo.
Sabem o que seria seguro, também?
Não sabem, mas eu digo:
Juntá-los todos em grupinhos de, vá lá, cerca de 40, pô-los dentro de uma espécie de carros grandes, conduzidos por profissionais que o façam diariamente, que obedeçam a carreiras pré-definidas e façam paragens em vários sítios, de forma a agradar a todos os CFS’s. Um conceito assim muito parecido com o dos transportes públicos, mas que se use também aos fins-de-semana.
Eu sei.
Sou um visionário.
Use a minha ideia, quem quiser e puder, e faça deste mundo um local melhor para todos nós, que eu não posso mais do que escrever baboseiras no meu blog internacionalmente desconhecido.
Beijinhos lustrosos.
Aqui está, então, tal como merecem.
O Condutor de Fim-de-Semana (de agora em diante definido como CFS, para facilitar e poupar bytes, que isto da crise calha a todos) é muito facilmente identificado, devido ao seu veículo, por qualquer pessoa que conduza diariamente.
Ora reparem:
Tem de ter um carro antigo, daqueles que não se trocam porque residem na garagem, da qual só saem ao fim-de-semana para fazer o gosto ao pé do piloto e, consequentemente, não se deterioram, porque as Marias lhes puxam o lustro todas as 6ªs feiras à tarde.
Tem de deitar muito fumo pelo escape.
Muito mesmo, que o fumo não se evita com puxadelas de lustro.
O CFS tem, portanto, um carro com cerca de 26 anos e meio que aparenta ter acabado de sair do stand, mas que fumega mais que o Vesúvio durante aquela altura do nevoeiro em pompeia.
Em relação ao condutor em si, é necessário que a utilização dos piscas seja aleatória e independente das manobras, o ponto de embraiagem seja feito de forma a ouvir-se à distância a que se consegue ver o fumo (um não tem o mesmo efeito aquando da ausência do outro, quando o tema da condução pós semanal se discute) e que a velocidade nunca exceda os 30 km/h, o que nos remete para o próximo factor essencial e indispensável para que alguém possa ser considerado um genuíno CFS:
“O travar”.
Quando digo “o travar”, não me refiro ao simples acto de pisar o pedal do travão quando é necessário reduzir a velocidade ou parar o carro, mesmo.
Não.
Refiro-me a um acto mais instintivo do que a respiração em si, como que se o pé direito do piloto ali, repousado no pedal do meio, pertencesse.
Exacto.
O verdadeiro CFS trava como quem pisca os olhos, tendo ainda menos necessidade de justificar o travar do que o pestanejar.
O CFS de gema trava porque sim, trava porque não, trava porque está numa descida, trava porque está numa subida, trava “porque aí vem uma rotunda”, trava porque está a sair de uma rotunda, trava porque “aqui não há rotundas”, trava porque “ali vem um carro”, mesmo que seja na faixa contrária, trava porque “não vem nenhum carro, mas eles aparecem aí que nem coelhos, que eu sei, porque não nasci ontem e já conduzo duas vezes por semana vai para mais de vinte anos”, trava porque lhe apetece virar ali, trava porque “não apetece virar ali, mas pode vir a apetecer quando lá estiver mesmo em cima, que isto de mudar de direcção não é nenhum projecto de vida e pode e deve, por isso mesmo, ser decidido na hora H, conjuntamente com a utilização de qualquer um dos piscas”, trava porque está um semáforo lá ao fundo, trava porque “não há semáforos aqui, e isso é um perigo, por isso é melhor ir travando já, para que quando precisar mesmo de o fazer, já esteja feito”.
Segurança acima de tudo.
Sabem o que seria seguro, também?
Não sabem, mas eu digo:
Juntá-los todos em grupinhos de, vá lá, cerca de 40, pô-los dentro de uma espécie de carros grandes, conduzidos por profissionais que o façam diariamente, que obedeçam a carreiras pré-definidas e façam paragens em vários sítios, de forma a agradar a todos os CFS’s. Um conceito assim muito parecido com o dos transportes públicos, mas que se use também aos fins-de-semana.
Eu sei.
Sou um visionário.
Use a minha ideia, quem quiser e puder, e faça deste mundo um local melhor para todos nós, que eu não posso mais do que escrever baboseiras no meu blog internacionalmente desconhecido.
Beijinhos lustrosos.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
E agora?
Sinto falta.
Falta de temas de escrita, criados por quem me agita aquela parte negra do pensamento mas nunca o humor, que esse tenho guardado para quem não me agita partes negras.
É um dos problemas das férias.
Estou com quem quero, quando quero. Não há obrigação de aturar gente que me agite os dedos.
Vontade própria traiçoeira que me faz afastar, sempre que possível, quem não me reanima. Depois vai-se indo o ritmo das teclas no pc, fica tudo mais calmo, afasto-me de uma das partes de mim que mais me fazem sentir eu.
Mais duas semanitas de sacrifício, depois volto para os meus amores criadores de letrinhas... e aí sim.
Aí volto a ter a cabeça cheia de comichões que não consigo coçar, volto a tentar deixá-las por aqui, sem sucesso, que de lá não saem nem por nada.
Volto a tentar livrar-me delas inutilmente, mas sabe tão bem.
Alivia.
Mas nunca páram. E gosto.
Que falta desse mundo confuso onde tento fazer o que não quero, sabendo à partida que não o vou conseguir, e onde o tento assim mesmo, por conhecer o agridoce guloso da tentativa falhada...
Saudadinhas...
Esmerem-se e produzam-se, que já falta pouco.
Surpreendam-me!
Mal posso esperar.
Falta de temas de escrita, criados por quem me agita aquela parte negra do pensamento mas nunca o humor, que esse tenho guardado para quem não me agita partes negras.
É um dos problemas das férias.
Estou com quem quero, quando quero. Não há obrigação de aturar gente que me agite os dedos.
Vontade própria traiçoeira que me faz afastar, sempre que possível, quem não me reanima. Depois vai-se indo o ritmo das teclas no pc, fica tudo mais calmo, afasto-me de uma das partes de mim que mais me fazem sentir eu.
Mais duas semanitas de sacrifício, depois volto para os meus amores criadores de letrinhas... e aí sim.
Aí volto a ter a cabeça cheia de comichões que não consigo coçar, volto a tentar deixá-las por aqui, sem sucesso, que de lá não saem nem por nada.
Volto a tentar livrar-me delas inutilmente, mas sabe tão bem.
Alivia.
Mas nunca páram. E gosto.
Que falta desse mundo confuso onde tento fazer o que não quero, sabendo à partida que não o vou conseguir, e onde o tento assim mesmo, por conhecer o agridoce guloso da tentativa falhada...
Saudadinhas...
Esmerem-se e produzam-se, que já falta pouco.
Surpreendam-me!
Mal posso esperar.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Escrevo
Porque sim.
Porque me apetece.
Porque cá tenho dentro o nada, e é isso que lá ponho fora, pelas pontas dos dedos.
Escrevo porque preciso.
Escrevo sem pensar, sem hesitar, sem corrigir depois.
Escrevo sem forma, sem nexo, sem nada.
Escrevo porque me alivia, porque me faz respirar com vontade de novo, apagando o nada que mo dificultava.
Apetece-me dizer qualquer coisa, mas não tenho o que dizer, por isso escrevo.
Sobre nada.
Mas alivia-me.
E vale-me por tudo.
Porque me apetece.
Porque cá tenho dentro o nada, e é isso que lá ponho fora, pelas pontas dos dedos.
Escrevo porque preciso.
Escrevo sem pensar, sem hesitar, sem corrigir depois.
Escrevo sem forma, sem nexo, sem nada.
Escrevo porque me alivia, porque me faz respirar com vontade de novo, apagando o nada que mo dificultava.
Apetece-me dizer qualquer coisa, mas não tenho o que dizer, por isso escrevo.
Sobre nada.
Mas alivia-me.
E vale-me por tudo.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Um dia
“Um dia ir-te-ás arrepender amargamente por não me teres querido quando te quis.”
-Vou? Porquê?
“Porque vais perceber o quão importante eu sou na tua vida. Vais ver, prepara-te.”
Eh lá, parece que aí vem artilharia pesada.
Mas daquela que vem depois de avisar…
Daquela pesada, que esmaga cegamente tudo o que apanha à frente, só que não apanha nada à frente, porque já avisou que vinha.
Artilharia pesada e fã de avisos.
Da inútil, precisamente.
Se me conhecesses minimamente, saberias que essa atitude insegura disfarçada de prepotência só me iria causar pena de ti…
“Vais ver, prepara-te.”
Para quê?
Eu não me preparo… despreparo-me, quando quero.
Despreparo-me. E custa-me.
Muito.
Por isso sorrio quando me dizes para me ir preparando.
Se estou pronto?
Eu estou é à espera.
Faço tudo por uma boa risada.
-Vou? Porquê?
“Porque vais perceber o quão importante eu sou na tua vida. Vais ver, prepara-te.”
Eh lá, parece que aí vem artilharia pesada.
Mas daquela que vem depois de avisar…
Daquela pesada, que esmaga cegamente tudo o que apanha à frente, só que não apanha nada à frente, porque já avisou que vinha.
Artilharia pesada e fã de avisos.
Da inútil, precisamente.
Se me conhecesses minimamente, saberias que essa atitude insegura disfarçada de prepotência só me iria causar pena de ti…
“Vais ver, prepara-te.”
Para quê?
Eu não me preparo… despreparo-me, quando quero.
Despreparo-me. E custa-me.
Muito.
Por isso sorrio quando me dizes para me ir preparando.
Se estou pronto?
Eu estou é à espera.
Faço tudo por uma boa risada.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Entrem e sirvam-se
Isso, entrem todos. Vão embebedar essas racionalidades, já que nem chegam a ter o direito de as usar enquanto sóbrias. Pena que ninguém as use por vós… São milhões delas a irem para o desuso. É um desperdício quase necessário…
Se o que vos dizem lá dentro fosse realmente verdade, esse criador infinitamente sábio não atribuiria o fenómeno do pensamento a quem fosse achar o seu uso demasiado doloroso. Dá-lo-ia somente a quem tem gosto em se magoar em prol de uma milésima de conhecimento, ganha com suor e desespero, e não com reconfortos e atenção dada somente ao que gostam de ouvir.
Entrem, embebedem-se… assim nem irão notar quando outros gozarem com a vossa cara. Vão achar que os sóbrios é que estão bêbados, e isso agradar-vos-á, servirá de tema de conversa para com os vossos idênticos, e irá incentivar-vos a não perder a próxima bebedeira conjunta.
Entrem, fracos… evitem a ressaca mantendo-se embriagados. Foi para isso mesmo que nasceram: para passearem alegremente ao lado da vida, para serem felizes nessa bebedeira, para servirem de termo de comparação aos sóbrios – estúpidos mas conscientes - que por vezes ainda dispensam tempo discutindo com esse álcool que fala por vós.
Entrem, bebam à vontade, que este álcool não tem fim, é servido aos domingos em grandes quantidades, e diariamente em amostras, a troca de algo que não vos passa pela cabeça, mas que aparentemente só tem valor para quem o pede, e para quem não aceita cedê-lo a troco de nada.
Entrem e sirvam-se, vermes, evitem apenas trazer o álcool cá para fora, que eu gosto é de aguinha.
Se o que vos dizem lá dentro fosse realmente verdade, esse criador infinitamente sábio não atribuiria o fenómeno do pensamento a quem fosse achar o seu uso demasiado doloroso. Dá-lo-ia somente a quem tem gosto em se magoar em prol de uma milésima de conhecimento, ganha com suor e desespero, e não com reconfortos e atenção dada somente ao que gostam de ouvir.
Entrem, embebedem-se… assim nem irão notar quando outros gozarem com a vossa cara. Vão achar que os sóbrios é que estão bêbados, e isso agradar-vos-á, servirá de tema de conversa para com os vossos idênticos, e irá incentivar-vos a não perder a próxima bebedeira conjunta.
Entrem, fracos… evitem a ressaca mantendo-se embriagados. Foi para isso mesmo que nasceram: para passearem alegremente ao lado da vida, para serem felizes nessa bebedeira, para servirem de termo de comparação aos sóbrios – estúpidos mas conscientes - que por vezes ainda dispensam tempo discutindo com esse álcool que fala por vós.
Entrem, bebam à vontade, que este álcool não tem fim, é servido aos domingos em grandes quantidades, e diariamente em amostras, a troca de algo que não vos passa pela cabeça, mas que aparentemente só tem valor para quem o pede, e para quem não aceita cedê-lo a troco de nada.
Entrem e sirvam-se, vermes, evitem apenas trazer o álcool cá para fora, que eu gosto é de aguinha.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
São reais
“Gosto dos textos… mas são… como hei-de dizer? São… Reais.”
Reais.
Exacto.
“E a realidade magoa.”
Magoa, sim. Magoa porque a ignoram sempre que possível.
Ignoram-na, desprezam-na, ou rasgam-na e tentam cosê-la com linhas perfeitas, tecidas ao gosto de cada um.
Não faltam pessoas a falar dessas realidades de linha e agulha.
Não falta gente a tentar rasgar a realidade, a cosê-la a seu gosto, e a escrever sobre isso.
Não faltam seres a escrever sobre as realidades das linhas com cores de que todos gostam.
Não faltam mesmo.
Aliás, sobejam.
Mas, mesmo assim, não resulta. Vivem nesses remendos frágeis, vivem atrás da linha e da agulha, e uma vez por outra lá vem Aquela que nunca se ausenta, por mais que não a olhem de frente.
Lá vem Ela, e esteve só à espera de um puxão mais forte nessa linha para vos dar as boas vindas aos panos imaculados, crus e brancos, com as costas da mão.
Ela volta.
Sempre.
Escrevo sobre ela, já que poucos o fazem. Escrevo sobre o que muitos não gostam de ler.
A minha escrita relembra que remendos coloridos não equivalem a pano limpo, sem rasgos, vilmente perfeito.
E tento encará-La de frente, tendo também eu as minhas linhas, mas não gosto de coser.
Coso muito pouco.
Escrevo muito.
E sempre sobre panos brancos.
Reais.
Exacto.
“E a realidade magoa.”
Magoa, sim. Magoa porque a ignoram sempre que possível.
Ignoram-na, desprezam-na, ou rasgam-na e tentam cosê-la com linhas perfeitas, tecidas ao gosto de cada um.
Não faltam pessoas a falar dessas realidades de linha e agulha.
Não falta gente a tentar rasgar a realidade, a cosê-la a seu gosto, e a escrever sobre isso.
Não faltam seres a escrever sobre as realidades das linhas com cores de que todos gostam.
Não faltam mesmo.
Aliás, sobejam.
Mas, mesmo assim, não resulta. Vivem nesses remendos frágeis, vivem atrás da linha e da agulha, e uma vez por outra lá vem Aquela que nunca se ausenta, por mais que não a olhem de frente.
Lá vem Ela, e esteve só à espera de um puxão mais forte nessa linha para vos dar as boas vindas aos panos imaculados, crus e brancos, com as costas da mão.
Ela volta.
Sempre.
Escrevo sobre ela, já que poucos o fazem. Escrevo sobre o que muitos não gostam de ler.
A minha escrita relembra que remendos coloridos não equivalem a pano limpo, sem rasgos, vilmente perfeito.
E tento encará-La de frente, tendo também eu as minhas linhas, mas não gosto de coser.
Coso muito pouco.
Escrevo muito.
E sempre sobre panos brancos.
O Homem da vida dela
“Pensavas que eras tu o homem da vida dela? Não és…”
Espera, vou só rir e já penso nessa pérola.
Já está.
Mulher inconsciente, não digas isso. Eu não vivo nesse mundo de homens e mulheres da vida uns dos outros.
Não venhas tentar assustar o céptico com o bicho papão debaixo da cama.
Eu não vivo nesse livro infantil. Não escrevo a minha futura história perfeita cada vez que inicio uma a dois. Não considero alguém perfeito dois meses depois de o conhecer, e muito menos digo que considero com esperança de que isso influencie a realidade. Não ignoro esse livro de previsões cada vez que desço à Terra nem o volto a abrir à mínima impressão de levitação.
Não.
Não tenho livros a dois. Tenho o meu, e esse nunca irei ignorar. É a coisa mais importante que tenho.
O meu livro.
Racional, crítico e descritivo, mas só meu e de mais ninguém.
Por isso, ser limitado, quando te rires ao pensar que estou mal por não ser o “homem da vida dela”, lembra-te de que assim é por opção minha e que ela não me considera como tal porque a evitei como que a uma doença contagiosa.
Isso mesmo.
Evitei-a.
A ela e ao livro infantil onde já escrevia antes de eu saber da sua existência.
Não quero ser protagonista de livros para crianças.
Esse “homem da vida dela” foi a rolha tosca que conseguiu arranjar para tapar o provisório e não primeiramente meu espaço no seu conto de fadas, tal como outros irão aparecer e tomar o mesmo título quando o actual “homem da vida dela” se cansar de o ser.
A sério.
Não me conheces.
Eu penso minuciosamente a curto e longo prazo, não sinto o momento só porque sim. É isso que me diferencia de vocês todos.
Não fales do que não sabes.
Ah, e bom proveito para o coitado.
Vai precisar dele durante os próximos meses de dieta de carne caprina já meio mastigada.
Espera, vou só rir e já penso nessa pérola.
Já está.
Mulher inconsciente, não digas isso. Eu não vivo nesse mundo de homens e mulheres da vida uns dos outros.
Não venhas tentar assustar o céptico com o bicho papão debaixo da cama.
Eu não vivo nesse livro infantil. Não escrevo a minha futura história perfeita cada vez que inicio uma a dois. Não considero alguém perfeito dois meses depois de o conhecer, e muito menos digo que considero com esperança de que isso influencie a realidade. Não ignoro esse livro de previsões cada vez que desço à Terra nem o volto a abrir à mínima impressão de levitação.
Não.
Não tenho livros a dois. Tenho o meu, e esse nunca irei ignorar. É a coisa mais importante que tenho.
O meu livro.
Racional, crítico e descritivo, mas só meu e de mais ninguém.
Por isso, ser limitado, quando te rires ao pensar que estou mal por não ser o “homem da vida dela”, lembra-te de que assim é por opção minha e que ela não me considera como tal porque a evitei como que a uma doença contagiosa.
Isso mesmo.
Evitei-a.
A ela e ao livro infantil onde já escrevia antes de eu saber da sua existência.
Não quero ser protagonista de livros para crianças.
Esse “homem da vida dela” foi a rolha tosca que conseguiu arranjar para tapar o provisório e não primeiramente meu espaço no seu conto de fadas, tal como outros irão aparecer e tomar o mesmo título quando o actual “homem da vida dela” se cansar de o ser.
A sério.
Não me conheces.
Eu penso minuciosamente a curto e longo prazo, não sinto o momento só porque sim. É isso que me diferencia de vocês todos.
Não fales do que não sabes.
Ah, e bom proveito para o coitado.
Vai precisar dele durante os próximos meses de dieta de carne caprina já meio mastigada.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Sente
Deixa-te sentir, que sentir é viver.
Sente.
Isso.
Dói... Pois. Faz parte.
Não sintas, então.
Não sintas, não vivas mais que assim não dói. Só dói a quem sente, e só vive a quem dói.
Viver outra vez?
Sentir outra vez.
Pois vai doer, sei. Também já vivi.
Viver sem doer? Não podes.
Sente e vive, ou esconde-te e vê quem o faz por não ter escolha.
Para eles é mais fácil, eu sei. Reagem, não decidem.
É a tua cruz... poder decidir.
Carrega-a.
Lamenta-a, se quiseres.
Ou orgulha-te dela.
Mas decide.
Sente.
Isso.
Dói... Pois. Faz parte.
Não sintas, então.
Não sintas, não vivas mais que assim não dói. Só dói a quem sente, e só vive a quem dói.
Viver outra vez?
Sentir outra vez.
Pois vai doer, sei. Também já vivi.
Viver sem doer? Não podes.
Sente e vive, ou esconde-te e vê quem o faz por não ter escolha.
Para eles é mais fácil, eu sei. Reagem, não decidem.
É a tua cruz... poder decidir.
Carrega-a.
Lamenta-a, se quiseres.
Ou orgulha-te dela.
Mas decide.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
As Almas Gémeas
Adoro quando duas pessoas se acham almas gémeas.
Adoro tanto.
“Amamo-nos loucamente e somos compatíveis a todos os níveis. Somos almas gémeas.”
Adoro, não só por acreditarem em almas gémeas, como por se considerarem as respectivas um do outro.
“Exacto, não é espectacular?”
É pois.
Mas mais espectacular ainda é o facto de, para além de serem almas gémeas (ou seja, feitos com o intuito de ficarem juntas) no meio de sete biliões de pessoas que andam a respirar o ar um dos outros pelo mundo inteiro, terem tido a infinita sorte de viverem a uma distância reduzida que lhes permitisse relacionarem-se e darem-se o suficiente ao ponto de se identificarem.
“As nossas personalidades reconheceram-se como complementares pouco depois de se terem cruzado! A mente humana tem coisas fantásticas!”
Então não tem? Tem coisas fantásticas, mesmo. Algumas delas a mais, até… diria eu.
Invejo-os tanto. E aposto que tal facto se deve por nunca ter encontrado a minha alma gémea.
A minha alma gémea, com a sorte que tenho, deve andar a passear num país que provavelmente desconheço, a falar uma língua cujo nome não consigo pronunciar, e nunca irei ser feliz por isso mesmo.
Sou tão infeliz.
O que me vale é a gentinha limitada que por aí anda, que sempre me vai entretendo, quanto mais não seja a achar que este universo foi feito a pensar nela e em todos os outros símios bípedes, toscamente evoluídos, que pedem muito ao seu criador (que por sua vez também é filho dele próprio, mas deixemos isso para outro texto) para os ajudar a encontrar a sua alma gémea.
E ele ajuda!
E eles encontram-se!
Lindo.
Adoro-vos.
Beijinhos e Cerebrum para todos vós, meus amores.
Adoro tanto.
“Amamo-nos loucamente e somos compatíveis a todos os níveis. Somos almas gémeas.”
Adoro, não só por acreditarem em almas gémeas, como por se considerarem as respectivas um do outro.
“Exacto, não é espectacular?”
É pois.
Mas mais espectacular ainda é o facto de, para além de serem almas gémeas (ou seja, feitos com o intuito de ficarem juntas) no meio de sete biliões de pessoas que andam a respirar o ar um dos outros pelo mundo inteiro, terem tido a infinita sorte de viverem a uma distância reduzida que lhes permitisse relacionarem-se e darem-se o suficiente ao ponto de se identificarem.
“As nossas personalidades reconheceram-se como complementares pouco depois de se terem cruzado! A mente humana tem coisas fantásticas!”
Então não tem? Tem coisas fantásticas, mesmo. Algumas delas a mais, até… diria eu.
Invejo-os tanto. E aposto que tal facto se deve por nunca ter encontrado a minha alma gémea.
A minha alma gémea, com a sorte que tenho, deve andar a passear num país que provavelmente desconheço, a falar uma língua cujo nome não consigo pronunciar, e nunca irei ser feliz por isso mesmo.
Sou tão infeliz.
O que me vale é a gentinha limitada que por aí anda, que sempre me vai entretendo, quanto mais não seja a achar que este universo foi feito a pensar nela e em todos os outros símios bípedes, toscamente evoluídos, que pedem muito ao seu criador (que por sua vez também é filho dele próprio, mas deixemos isso para outro texto) para os ajudar a encontrar a sua alma gémea.
E ele ajuda!
E eles encontram-se!
Lindo.
Adoro-vos.
Beijinhos e Cerebrum para todos vós, meus amores.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Ri-te
Ri-te, triste.
Ri-te, feiona.
Ri-te dos outros para evitares chorar de ti própria.
Ri-te com essa vontade que não é tua, mas sim desse mundo fragilmente imaginário onde vives, onde és linda, onde és simpática, onde tens um príncipe encantado e onde ninguém vos compreende e todos vos invejam.
Ri-te, estúpida. Ri-te, que o teu riso alto afaga a pena que de ti têm.
Ri-te, que isso te adormenta, te embebeda, te tira a vontade de ser simpática.
Ser simpática seria uma boa forma de compensares esse teu aspecto, mas não.
Não.
Ela, não.
Ela é demasiado independente para ser simpática só porque sim.
Ela é demasiado segura.
Ela tem uma personalidade muito forte, não vai em simpatias casuais. Nunca.
“Independente, segura, forte.”
Posso, também eu, tentar uns adjectivos?
Feia e antipática. Isso mesmo.
Intolerável.
“Detesto-te, não tens piada nenhuma”
-Também te adoro.
“Deves pensar que sou dessas. Não vou em falinhas mansas.”
-Ok. Acrescento “mentecapta” à lista. Falinhas mansas? Tenta antes ironia, querida.
Olha bem para ti, vá.
Isso.
Agora olha para mim...
Pronto.
Percebes agora por que não haveria lógica em eu dar-te falinhas mansas?
“Não gostas, não comes”
-Pois não, nem que me pagassem. Podes apostar essa cara feia nisso.
“Estúpido!”
-Desculpa? Desta vez não te consegui ouvir… O teu ego estava a gritar tão alto….
Abanaste, não foi?
Pois foi.
Agora?
Agora chora, que rio eu.
Ri-te, feiona.
Ri-te dos outros para evitares chorar de ti própria.
Ri-te com essa vontade que não é tua, mas sim desse mundo fragilmente imaginário onde vives, onde és linda, onde és simpática, onde tens um príncipe encantado e onde ninguém vos compreende e todos vos invejam.
Ri-te, estúpida. Ri-te, que o teu riso alto afaga a pena que de ti têm.
Ri-te, que isso te adormenta, te embebeda, te tira a vontade de ser simpática.
Ser simpática seria uma boa forma de compensares esse teu aspecto, mas não.
Não.
Ela, não.
Ela é demasiado independente para ser simpática só porque sim.
Ela é demasiado segura.
Ela tem uma personalidade muito forte, não vai em simpatias casuais. Nunca.
“Independente, segura, forte.”
Posso, também eu, tentar uns adjectivos?
Feia e antipática. Isso mesmo.
Intolerável.
“Detesto-te, não tens piada nenhuma”
-Também te adoro.
“Deves pensar que sou dessas. Não vou em falinhas mansas.”
-Ok. Acrescento “mentecapta” à lista. Falinhas mansas? Tenta antes ironia, querida.
Olha bem para ti, vá.
Isso.
Agora olha para mim...
Pronto.
Percebes agora por que não haveria lógica em eu dar-te falinhas mansas?
“Não gostas, não comes”
-Pois não, nem que me pagassem. Podes apostar essa cara feia nisso.
“Estúpido!”
-Desculpa? Desta vez não te consegui ouvir… O teu ego estava a gritar tão alto….
Abanaste, não foi?
Pois foi.
Agora?
Agora chora, que rio eu.
domingo, 16 de maio de 2010
O Senhor Perfeito
O Senhor Perfeito é muito feliz.
O Senhor Perfeito vive em perfeito equilíbrio com a Natureza e com todos os meios que o rodeiam.
O Senhor Perfeito é perfeito.
O Senhor Perfeito nunca tem discussões sobre nada - tem somente trocas de ideias - porque compreende os pontos de vistas de toda a gente e sabe que os mesmos dependem de factores educacionais e culturais, ou de experiências vividas por cada indivíduo, e não do apetite intrínseco de contrariar os outros.
O Senhor Perfeito força-se a utilizar muitas palavras caras (para ele) como “intrínseco” nas suas trocas de ideias, não para criar a impressão de ser culto e possante de um vasto e completo vocabulário, mas sim porque assim o é, e não faz questão de esconder essas suas grandes qualidades “adquiridas” a ferros.
O Senhor Perfeito faz mais questão de mostrar as suas “qualidades” aquando das suas trocas de ideias do que de ouvir o que lhe têm a dizer, já que sobre assunto nenhum sabe alguém sabe mais que ele, e que o mesmo só ouve os restantes reles seres por uma questão de humildade e de preocupação (oh, que caridade) pelo conhecimento alheio fornecido, como não poderia deixar de ser, por si próprio.
O Senhor Perfeito faz questão de frisar a sua humildade dizendo periodicamente, em público, que não é perfeito, esperando sempre que alguém o contradiga, subindo o seu frágil e influenciável ego, mas não.
O Senhor Perfeito é um vasto conhecedor de todos os campos do conhecimento humano e sobre-humano, ou pelo menos tal afirma ser, subtilmente, com o intuito de assim mesmo ser visto.
O Senhor Perfeito não tem como objectivo ter uma vida de luxos, já que o Senhor Perfeito tem um carro que consome pouco (daqueles que se arrastam), e que se orgulha disso referindo-o em alto e bom som de cada vez que passa um automóvel topo de gama por ele - e se rói de inveja por dentro -, argumentando com preocupações ambientais e resistência à natureza consumista humana.
O Senhor Perfeito apoia psicologicamente e aplaude de pé causas que com caridade tenham a ver, mas não fornece um tostão para as mesmas, já que se encontra sempre ocupado a adquirir conhecimento ou a vomitá-lo para cima dos outros.
O Senhor Perfeito casa-se. Casa-se e ama muito a sua mulher, com a qual faz o amor uma ou mais vezes por semana, enquanto lhe diz ao ouvido, baixinho, que a ama muito.
A mulher do Senhor Perfeito, a Senhora Perfeita, também ama muito o Senhor Perfeito, e sabe que o Senhor Perfeito nunca a irá deixar porque é muito fiel e cumpridor de regras por ele impostas e assumidas como universais, encornando-o portanto a torto e a direito sempre que possível, já que o seu desejo sexual não se contenta com o amor uma ou mais vezes por semana, mas sim com sexo, tal como a expressão "desejo sexual" deixa indiciar.
O Senhor Perfeito sabe que tem um grande e pontiagudo par de cornos, mas age como se tal não soubesse, uma vez que tem plena noção de que o mesmo foi semeado e regado devido à natureza poligâmica humana à qual a sua mulher não escapa, e lembra-se muito de que a ela o ama mais que tudo, mesmo quando grita o nome do seu personal trainer (por sua vez pago pelo Senhor Perfeito, obviamente) enquanto se contorce.
O Senhor Perfeito acha que se mais senhores fossem como ele, o mundo seria melhor, e com certeza todos os personal trainers concordam com essa sua afirmação.
O Senhor Perfeito é mandado à merda com frequência por pessoas que não estão para o aturar, mas o Senhor Perfeito sabe que essas pessoas só o fazem porque não conseguem atingir o seu nível sublime de interpretação global.
Vai, Senhor Perfeito, vai.
Vai e reproduz-te, que o mundo precisa de mais seres como tu, já que mandar pessoas à merda sabe sempre bem, em especial quando elas continuam a achar-se espectacularmente humildes e intelectualmente superiores a todos depois disso.
Vai! Vai, Senhor Perfeito!
Vai à merda.
O Senhor Perfeito vive em perfeito equilíbrio com a Natureza e com todos os meios que o rodeiam.
O Senhor Perfeito é perfeito.
O Senhor Perfeito nunca tem discussões sobre nada - tem somente trocas de ideias - porque compreende os pontos de vistas de toda a gente e sabe que os mesmos dependem de factores educacionais e culturais, ou de experiências vividas por cada indivíduo, e não do apetite intrínseco de contrariar os outros.
O Senhor Perfeito força-se a utilizar muitas palavras caras (para ele) como “intrínseco” nas suas trocas de ideias, não para criar a impressão de ser culto e possante de um vasto e completo vocabulário, mas sim porque assim o é, e não faz questão de esconder essas suas grandes qualidades “adquiridas” a ferros.
O Senhor Perfeito faz mais questão de mostrar as suas “qualidades” aquando das suas trocas de ideias do que de ouvir o que lhe têm a dizer, já que sobre assunto nenhum sabe alguém sabe mais que ele, e que o mesmo só ouve os restantes reles seres por uma questão de humildade e de preocupação (oh, que caridade) pelo conhecimento alheio fornecido, como não poderia deixar de ser, por si próprio.
O Senhor Perfeito faz questão de frisar a sua humildade dizendo periodicamente, em público, que não é perfeito, esperando sempre que alguém o contradiga, subindo o seu frágil e influenciável ego, mas não.
O Senhor Perfeito é um vasto conhecedor de todos os campos do conhecimento humano e sobre-humano, ou pelo menos tal afirma ser, subtilmente, com o intuito de assim mesmo ser visto.
O Senhor Perfeito não tem como objectivo ter uma vida de luxos, já que o Senhor Perfeito tem um carro que consome pouco (daqueles que se arrastam), e que se orgulha disso referindo-o em alto e bom som de cada vez que passa um automóvel topo de gama por ele - e se rói de inveja por dentro -, argumentando com preocupações ambientais e resistência à natureza consumista humana.
O Senhor Perfeito apoia psicologicamente e aplaude de pé causas que com caridade tenham a ver, mas não fornece um tostão para as mesmas, já que se encontra sempre ocupado a adquirir conhecimento ou a vomitá-lo para cima dos outros.
O Senhor Perfeito casa-se. Casa-se e ama muito a sua mulher, com a qual faz o amor uma ou mais vezes por semana, enquanto lhe diz ao ouvido, baixinho, que a ama muito.
A mulher do Senhor Perfeito, a Senhora Perfeita, também ama muito o Senhor Perfeito, e sabe que o Senhor Perfeito nunca a irá deixar porque é muito fiel e cumpridor de regras por ele impostas e assumidas como universais, encornando-o portanto a torto e a direito sempre que possível, já que o seu desejo sexual não se contenta com o amor uma ou mais vezes por semana, mas sim com sexo, tal como a expressão "desejo sexual" deixa indiciar.
O Senhor Perfeito sabe que tem um grande e pontiagudo par de cornos, mas age como se tal não soubesse, uma vez que tem plena noção de que o mesmo foi semeado e regado devido à natureza poligâmica humana à qual a sua mulher não escapa, e lembra-se muito de que a ela o ama mais que tudo, mesmo quando grita o nome do seu personal trainer (por sua vez pago pelo Senhor Perfeito, obviamente) enquanto se contorce.
O Senhor Perfeito acha que se mais senhores fossem como ele, o mundo seria melhor, e com certeza todos os personal trainers concordam com essa sua afirmação.
O Senhor Perfeito é mandado à merda com frequência por pessoas que não estão para o aturar, mas o Senhor Perfeito sabe que essas pessoas só o fazem porque não conseguem atingir o seu nível sublime de interpretação global.
Vai, Senhor Perfeito, vai.
Vai e reproduz-te, que o mundo precisa de mais seres como tu, já que mandar pessoas à merda sabe sempre bem, em especial quando elas continuam a achar-se espectacularmente humildes e intelectualmente superiores a todos depois disso.
Vai! Vai, Senhor Perfeito!
Vai à merda.
sábado, 15 de maio de 2010
O Coiso
Há um tema que há muito me ocupa aquela parte do cérebro que não serve para mais nada a não ser guardar a categoria de temas da qual faz parte o tema inicial por mim evocado mas não especificado.
É o tema do coiso.
Começo bem… com uma frase longa, confusa, sem pontuação, com a repetição (irritante) da palavra “tema” e, como se não bastasse, outra de seguida, que aparentemente não quer dizer absolutamente nada, mesmo a jeito de testar a vontade do leitor de ir ver televisão.
Largue o telecomando, por favor! Passo a explicar:
O “coiso” é, para mim, o fenómeno que se verifica quando é evidenciado o conceito que o público tem de um autor, seja ele prosador, poeta, dramaturgo, parvo, produtor de cinema ou teatro, e por aí adiante. Neste caso focar-me-ei mais afincadamente no exemplo dos escritores, já que são os que conheço menos mal.
Tomemos o hipotético Sr. Teobaldo como exemplo.
Imaginemos que o Sr. Teobaldo é um escritor conceituado, (dos que escrevem muito e bem(?), ganham prémios dos que se exige que sejam entregues por minissaias, decotes, telepontos e discursos interpolados por “sendo que’s”) daqueles que cometem dois livros de 200 páginas por semana, desafiando até mesmo a capacidade que o próprio Marcelo Aspira Livros Rebelo De Sousa tem para os ler sem ficar com algum em atraso.
Ora, geralmente, neste caso, o conceito de ”autor Teobaldo” é bem mais complexo do que o próprio Sr. Teobaldo em si.
Porquê?
Essa é fácil… sinceramente esperava mais do leitor.
Mesmo assim, justifico:
O conceito que o Sr. Teobaldo criou dá azo a novos Teobaldos - nas cabeças de quem lê os seus textos - devido a ideias que ele (Sr. Teobaldo) passa, por erros que comete, não deixando (o conceito) margem para que estes sejam reconhecidos como tal.
Este conceito é criado pela necessidade dos leitores de quererem ver mais nas páginas repentinas e apressadas que o Sr. Teobaldo “escreve” com tanta fúria e vontad€.
Quero com isto dizer que, quando lemos textos de algum Teobaldo, não pensamos "ora deixa cá ver clichés, ideias mal explicadas e faltas de vocabulário". E mais… se os virmos, achamos que foi de propósito, com o intuito de nos criar a sensação não sei o quê, sensação essa que provavelmente nem o próprio Sr. Teobaldo conhecia.
O certo é que, conhecendo-a ou não, lá enfia o Teozinho mais uns milhares ao bolso, à custa de quem quer ver para além do que existe.
Só os erros ortográficos nos saltam à vista, por terem carácter objectivo, e não terem interpretações possíveis, para além de "o gajo não sabe escrever isto..."
E é para isso mesmo que servem os correctores ortográficos automáticos: para evitar que erros objectivos e sem margens para múltiplas interpretações saiam a público de braço dado com os subjectivos, que enaltecem o seu autor, por excesso de fé de quem os lê. Fé em “autores ideais que escreveram isto desta forma para dar a sensação não sei quê” inexistentes.
Muitos milhões de euritos são certamente movidos diariamente devido ao coiso…
Eu, como “escritor” internacionalmente reconhecido por 2 ou 3 pessoas que têm coragem e paciência (e falta de tvcabo, quiçá) para ler o que escrevo, cá me fico pela minha linguagem característica, sem grandes liberdades de interpretação. Cada vez que lanço uma frase como a inicial deste texto, antevejo torceres de nariz e olhares circundantes a equacionar o esforço necessário para ligar a TV, ao invés de cérebros a funcionar à procura de significados inexistentes, mas gosto disso. Gosto que a minha escrita só tenha aquilo que lhe dou, ou que deixo ter, intencionalmente, para quem a lê.
Os meus textos têm objectividade, subjectividade intencional, e vontade de escrever, quando me apetece, sem pressões editoriais.
E talvez, também, algum coiso.
Mas pouco.
É o tema do coiso.
Começo bem… com uma frase longa, confusa, sem pontuação, com a repetição (irritante) da palavra “tema” e, como se não bastasse, outra de seguida, que aparentemente não quer dizer absolutamente nada, mesmo a jeito de testar a vontade do leitor de ir ver televisão.
Largue o telecomando, por favor! Passo a explicar:
O “coiso” é, para mim, o fenómeno que se verifica quando é evidenciado o conceito que o público tem de um autor, seja ele prosador, poeta, dramaturgo, parvo, produtor de cinema ou teatro, e por aí adiante. Neste caso focar-me-ei mais afincadamente no exemplo dos escritores, já que são os que conheço menos mal.
Tomemos o hipotético Sr. Teobaldo como exemplo.
Imaginemos que o Sr. Teobaldo é um escritor conceituado, (dos que escrevem muito e bem(?), ganham prémios dos que se exige que sejam entregues por minissaias, decotes, telepontos e discursos interpolados por “sendo que’s”) daqueles que cometem dois livros de 200 páginas por semana, desafiando até mesmo a capacidade que o próprio Marcelo Aspira Livros Rebelo De Sousa tem para os ler sem ficar com algum em atraso.
Ora, geralmente, neste caso, o conceito de ”autor Teobaldo” é bem mais complexo do que o próprio Sr. Teobaldo em si.
Porquê?
Essa é fácil… sinceramente esperava mais do leitor.
Mesmo assim, justifico:
O conceito que o Sr. Teobaldo criou dá azo a novos Teobaldos - nas cabeças de quem lê os seus textos - devido a ideias que ele (Sr. Teobaldo) passa, por erros que comete, não deixando (o conceito) margem para que estes sejam reconhecidos como tal.
Este conceito é criado pela necessidade dos leitores de quererem ver mais nas páginas repentinas e apressadas que o Sr. Teobaldo “escreve” com tanta fúria e vontad€.
Quero com isto dizer que, quando lemos textos de algum Teobaldo, não pensamos "ora deixa cá ver clichés, ideias mal explicadas e faltas de vocabulário". E mais… se os virmos, achamos que foi de propósito, com o intuito de nos criar a sensação não sei o quê, sensação essa que provavelmente nem o próprio Sr. Teobaldo conhecia.
O certo é que, conhecendo-a ou não, lá enfia o Teozinho mais uns milhares ao bolso, à custa de quem quer ver para além do que existe.
Só os erros ortográficos nos saltam à vista, por terem carácter objectivo, e não terem interpretações possíveis, para além de "o gajo não sabe escrever isto..."
E é para isso mesmo que servem os correctores ortográficos automáticos: para evitar que erros objectivos e sem margens para múltiplas interpretações saiam a público de braço dado com os subjectivos, que enaltecem o seu autor, por excesso de fé de quem os lê. Fé em “autores ideais que escreveram isto desta forma para dar a sensação não sei quê” inexistentes.
Muitos milhões de euritos são certamente movidos diariamente devido ao coiso…
Eu, como “escritor” internacionalmente reconhecido por 2 ou 3 pessoas que têm coragem e paciência (e falta de tvcabo, quiçá) para ler o que escrevo, cá me fico pela minha linguagem característica, sem grandes liberdades de interpretação. Cada vez que lanço uma frase como a inicial deste texto, antevejo torceres de nariz e olhares circundantes a equacionar o esforço necessário para ligar a TV, ao invés de cérebros a funcionar à procura de significados inexistentes, mas gosto disso. Gosto que a minha escrita só tenha aquilo que lhe dou, ou que deixo ter, intencionalmente, para quem a lê.
Os meus textos têm objectividade, subjectividade intencional, e vontade de escrever, quando me apetece, sem pressões editoriais.
E talvez, também, algum coiso.
Mas pouco.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
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