Refugio-me muito na racionalidade.
A sério.
Nada parece digno de sentimentos negativos quando visto como um todo e excluindo pontos de vista.
Sempre fiz o possível por pensar muito sobre muito, e tenho-me apercebido de que isso me tira o gozo do carpe dien. Conclusão óbvia… dirias tu, mas não penso que assim seja, ou pelo menos que assim tanto seja.
Sentimentos de alegria, posse, perda, amor, ódio, orgulho, arrependimento, ou de qualquer outro tipo tendem para desaparecer quando pensamos na situação como consequência de algo que nos não nos tenha sido inerente, ou até mesmo que tenha, mas, no 2º caso, rapidamente se percebe que o que sentimos não irá alterar a realidade. E é então que a racionalidade toma conta, e os sentimentos se tornam lógicos, consequências óbvias, desnecessárias, sem objectivo, e assim perdem a razão de ser.
É o que faço quando quero evitar dor, e por vezes vejo-me a não sentir prazer pelo mesmo motivo. Já me é inato, preparei-me para isso, e não é raro o piloto automático tomar controlo sem me pedir sequer.
E, nesse mundo, finjo que me alegro, e que tenho, e que perco, e que amo, e que odeio, e que me orgulho, e que me arrependo como os outros, mas não.
Não como os outros, não com vontade, não sem o plano B tanto à mão que nem chegue a libertar o A.
Mas há alturas em que o piloto se distrai, ou não se alerta por nem eu, aliciado pelos prazeres traiçoeiros do sentir, não querer que o faça, e é aí que sinto como os tantos outros, é aí que não vejo para além dos meus olhos, e que o meu cérebro se limita a receber e a beber, sem filtrar minuciosamente. E é também nessas alturas que me lembro da segura viagem controlada e desinteressantemente relativada, e que me lembro de que a qualquer altura poderei precisar do meu piloto, e que ele poderá não acordar tão rapidamente como irei querer.
É nessas alturas que me vejo enredado por sensações não lógicas, cheias de sentido, tentando voltar ao meu mundo racionalmente desinteressante, onde não sinto, não rio, não choro, não nada, mas que também já não me quer, por o ter traído por demasiado tempo.
Mas acabo sempre por regressar, e por olhar com indiferença para o que outrora me fazia entristecer, e por perder um pouco mais daquilo que me faz humano, como aqueles que se alegram, que têm, que amam, que odeiam, que se orgulham, e que se arrependem, e dos quais só me rio por ausência de pena própria, por não conseguir viver somente do outro lado, por ser forte a analizá-los e a evitar essa debilidade que não consideram sequer evitável, mas fraco ao ponto de usar essa força em demasia, não os querendo perceber. Não a toda a hora.
E é isso.
E mais, que não digo.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Dói-me.
Tanto.
Cá dentro, onde não chego nem vejo.
Dói-me onde eu nem sabia que existia, mais do me julgava deixar.
Dói-me um doer infantil, dos que ardem mas não curam, por nunca antes terem doído.
Dói-me.Tanto…
Nalgum lugar que ignoro.
Qualquer sítio, cá para dentro, entranhado, longe dos que já sei como doer.
Dói-me, e não aprendo a doê-lo, só o sinto, longe, mas por aqui.
Sinto-o e dói-me naquele sítio que nem conheço.
Dói-me muito, juro.
Só não sei dizer onde.
Cá dentro, onde não chego nem vejo.
Dói-me onde eu nem sabia que existia, mais do me julgava deixar.
Dói-me um doer infantil, dos que ardem mas não curam, por nunca antes terem doído.
Dói-me.Tanto…
Nalgum lugar que ignoro.
Qualquer sítio, cá para dentro, entranhado, longe dos que já sei como doer.
Dói-me, e não aprendo a doê-lo, só o sinto, longe, mas por aqui.
Sinto-o e dói-me naquele sítio que nem conheço.
Dói-me muito, juro.
Só não sei dizer onde.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Poesia (?) daquela inexperiente
Por vezes sinto, não como dantes.
Durante momentos eternos na hora.
Imagino ser como outrora,
Mas o sentir dura instantes.
Lembro, vagamente,
O sentir de alma pura,
Lembro, somente.
O sentir já não perdura.
Sinto, mas pouco,
E fugazmente.
Ou finjo sentir como um louco,
Em jeito de forçar a mente,
Farsa, comédia, cenas de um acto,
Esperando vir a sentir de facto.
Não sinto, ponto final.
O sentir perde-se no caminho,
E nem o guio, perca-se sozinho,
Fico eu e o racional.
Não sinto. Nem quero,
Que sentir agita a alma
A minha anseia calma,
E quando sinto, desespero.
Talvez nem sinta mais, mesmo.
Talvez seja esse o meu sesmo.
Não sinto.
Não por não querer,
Mas por já não mais saber.
Durante momentos eternos na hora.
Imagino ser como outrora,
Mas o sentir dura instantes.
Lembro, vagamente,
O sentir de alma pura,
Lembro, somente.
O sentir já não perdura.
Sinto, mas pouco,
E fugazmente.
Ou finjo sentir como um louco,
Em jeito de forçar a mente,
Farsa, comédia, cenas de um acto,
Esperando vir a sentir de facto.
Não sinto, ponto final.
O sentir perde-se no caminho,
E nem o guio, perca-se sozinho,
Fico eu e o racional.
Não sinto. Nem quero,
Que sentir agita a alma
A minha anseia calma,
E quando sinto, desespero.
Talvez nem sinta mais, mesmo.
Talvez seja esse o meu sesmo.
Não sinto.
Não por não querer,
Mas por já não mais saber.
sábado, 11 de setembro de 2010
Os Condutores de Fim-de-Semana
São uns seres com que todos nós nos cruzamos semanalmente, nunca tendo eu, estranhamente, escrito sobre eles.
Aqui está, então, tal como merecem.
O Condutor de Fim-de-Semana (de agora em diante definido como CFS, para facilitar e poupar bytes, que isto da crise calha a todos) é muito facilmente identificado, devido ao seu veículo, por qualquer pessoa que conduza diariamente.
Ora reparem:
Tem de ter um carro antigo, daqueles que não se trocam porque residem na garagem, da qual só saem ao fim-de-semana para fazer o gosto ao pé do piloto e, consequentemente, não se deterioram, porque as Marias lhes puxam o lustro todas as 6ªs feiras à tarde.
Tem de deitar muito fumo pelo escape.
Muito mesmo, que o fumo não se evita com puxadelas de lustro.
O CFS tem, portanto, um carro com cerca de 26 anos e meio que aparenta ter acabado de sair do stand, mas que fumega mais que o Vesúvio durante aquela altura do nevoeiro em pompeia.
Em relação ao condutor em si, é necessário que a utilização dos piscas seja aleatória e independente das manobras, o ponto de embraiagem seja feito de forma a ouvir-se à distância a que se consegue ver o fumo (um não tem o mesmo efeito aquando da ausência do outro, quando o tema da condução pós semanal se discute) e que a velocidade nunca exceda os 30 km/h, o que nos remete para o próximo factor essencial e indispensável para que alguém possa ser considerado um genuíno CFS:
“O travar”.
Quando digo “o travar”, não me refiro ao simples acto de pisar o pedal do travão quando é necessário reduzir a velocidade ou parar o carro, mesmo.
Não.
Refiro-me a um acto mais instintivo do que a respiração em si, como que se o pé direito do piloto ali, repousado no pedal do meio, pertencesse.
Exacto.
O verdadeiro CFS trava como quem pisca os olhos, tendo ainda menos necessidade de justificar o travar do que o pestanejar.
O CFS de gema trava porque sim, trava porque não, trava porque está numa descida, trava porque está numa subida, trava “porque aí vem uma rotunda”, trava porque está a sair de uma rotunda, trava porque “aqui não há rotundas”, trava porque “ali vem um carro”, mesmo que seja na faixa contrária, trava porque “não vem nenhum carro, mas eles aparecem aí que nem coelhos, que eu sei, porque não nasci ontem e já conduzo duas vezes por semana vai para mais de vinte anos”, trava porque lhe apetece virar ali, trava porque “não apetece virar ali, mas pode vir a apetecer quando lá estiver mesmo em cima, que isto de mudar de direcção não é nenhum projecto de vida e pode e deve, por isso mesmo, ser decidido na hora H, conjuntamente com a utilização de qualquer um dos piscas”, trava porque está um semáforo lá ao fundo, trava porque “não há semáforos aqui, e isso é um perigo, por isso é melhor ir travando já, para que quando precisar mesmo de o fazer, já esteja feito”.
Segurança acima de tudo.
Sabem o que seria seguro, também?
Não sabem, mas eu digo:
Juntá-los todos em grupinhos de, vá lá, cerca de 40, pô-los dentro de uma espécie de carros grandes, conduzidos por profissionais que o façam diariamente, que obedeçam a carreiras pré-definidas e façam paragens em vários sítios, de forma a agradar a todos os CFS’s. Um conceito assim muito parecido com o dos transportes públicos, mas que se use também aos fins-de-semana.
Eu sei.
Sou um visionário.
Use a minha ideia, quem quiser e puder, e faça deste mundo um local melhor para todos nós, que eu não posso mais do que escrever baboseiras no meu blog internacionalmente desconhecido.
Beijinhos lustrosos.
Aqui está, então, tal como merecem.
O Condutor de Fim-de-Semana (de agora em diante definido como CFS, para facilitar e poupar bytes, que isto da crise calha a todos) é muito facilmente identificado, devido ao seu veículo, por qualquer pessoa que conduza diariamente.
Ora reparem:
Tem de ter um carro antigo, daqueles que não se trocam porque residem na garagem, da qual só saem ao fim-de-semana para fazer o gosto ao pé do piloto e, consequentemente, não se deterioram, porque as Marias lhes puxam o lustro todas as 6ªs feiras à tarde.
Tem de deitar muito fumo pelo escape.
Muito mesmo, que o fumo não se evita com puxadelas de lustro.
O CFS tem, portanto, um carro com cerca de 26 anos e meio que aparenta ter acabado de sair do stand, mas que fumega mais que o Vesúvio durante aquela altura do nevoeiro em pompeia.
Em relação ao condutor em si, é necessário que a utilização dos piscas seja aleatória e independente das manobras, o ponto de embraiagem seja feito de forma a ouvir-se à distância a que se consegue ver o fumo (um não tem o mesmo efeito aquando da ausência do outro, quando o tema da condução pós semanal se discute) e que a velocidade nunca exceda os 30 km/h, o que nos remete para o próximo factor essencial e indispensável para que alguém possa ser considerado um genuíno CFS:
“O travar”.
Quando digo “o travar”, não me refiro ao simples acto de pisar o pedal do travão quando é necessário reduzir a velocidade ou parar o carro, mesmo.
Não.
Refiro-me a um acto mais instintivo do que a respiração em si, como que se o pé direito do piloto ali, repousado no pedal do meio, pertencesse.
Exacto.
O verdadeiro CFS trava como quem pisca os olhos, tendo ainda menos necessidade de justificar o travar do que o pestanejar.
O CFS de gema trava porque sim, trava porque não, trava porque está numa descida, trava porque está numa subida, trava “porque aí vem uma rotunda”, trava porque está a sair de uma rotunda, trava porque “aqui não há rotundas”, trava porque “ali vem um carro”, mesmo que seja na faixa contrária, trava porque “não vem nenhum carro, mas eles aparecem aí que nem coelhos, que eu sei, porque não nasci ontem e já conduzo duas vezes por semana vai para mais de vinte anos”, trava porque lhe apetece virar ali, trava porque “não apetece virar ali, mas pode vir a apetecer quando lá estiver mesmo em cima, que isto de mudar de direcção não é nenhum projecto de vida e pode e deve, por isso mesmo, ser decidido na hora H, conjuntamente com a utilização de qualquer um dos piscas”, trava porque está um semáforo lá ao fundo, trava porque “não há semáforos aqui, e isso é um perigo, por isso é melhor ir travando já, para que quando precisar mesmo de o fazer, já esteja feito”.
Segurança acima de tudo.
Sabem o que seria seguro, também?
Não sabem, mas eu digo:
Juntá-los todos em grupinhos de, vá lá, cerca de 40, pô-los dentro de uma espécie de carros grandes, conduzidos por profissionais que o façam diariamente, que obedeçam a carreiras pré-definidas e façam paragens em vários sítios, de forma a agradar a todos os CFS’s. Um conceito assim muito parecido com o dos transportes públicos, mas que se use também aos fins-de-semana.
Eu sei.
Sou um visionário.
Use a minha ideia, quem quiser e puder, e faça deste mundo um local melhor para todos nós, que eu não posso mais do que escrever baboseiras no meu blog internacionalmente desconhecido.
Beijinhos lustrosos.
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