Bem vindo à zona por mim escolhida para escrever o que me vai na cabeça..

...ou que, na maior parte das vezes, finjo que vai, porque fica sempre bonito fingir que se sente, como o poeta.

PS


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

E agora?

Sinto falta.
Falta de temas de escrita, criados por quem me agita aquela parte negra do pensamento mas nunca o humor, que esse tenho guardado para quem não me agita partes negras.
É um dos problemas das férias.
Estou com quem quero, quando quero. Não há obrigação de aturar gente que me agite os dedos.
Vontade própria traiçoeira que me faz afastar, sempre que possível, quem não me reanima. Depois vai-se indo o ritmo das teclas no pc, fica tudo mais calmo, afasto-me de uma das partes de mim que mais me fazem sentir eu.
Mais duas semanitas de sacrifício, depois volto para os meus amores criadores de letrinhas... e aí sim.
Aí volto a ter a cabeça cheia de comichões que não consigo coçar, volto a tentar deixá-las por aqui, sem sucesso, que de lá não saem nem por nada.
Volto a tentar livrar-me delas inutilmente, mas sabe tão bem.
Alivia.
Mas nunca páram. E gosto.
Que falta desse mundo confuso onde tento fazer o que não quero, sabendo à partida que não o vou conseguir, e onde o tento assim mesmo, por conhecer o agridoce guloso da tentativa falhada...
Saudadinhas...
Esmerem-se e produzam-se, que já falta pouco.
Surpreendam-me!
Mal posso esperar.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Escrevo

Porque sim.
Porque me apetece.
Porque cá tenho dentro o nada, e é isso que lá ponho fora, pelas pontas dos dedos.
Escrevo porque preciso.
Escrevo sem pensar, sem hesitar, sem corrigir depois.
Escrevo sem forma, sem nexo, sem nada.
Escrevo porque me alivia, porque me faz respirar com vontade de novo, apagando o nada que mo dificultava.
Apetece-me dizer qualquer coisa, mas não tenho o que dizer, por isso escrevo.
Sobre nada.
Mas alivia-me.
E vale-me por tudo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um dia

“Um dia ir-te-ás arrepender amargamente por não me teres querido quando te quis.”
-Vou? Porquê?
“Porque vais perceber o quão importante eu sou na tua vida. Vais ver, prepara-te.”
Eh lá, parece que aí vem artilharia pesada.
Mas daquela que vem depois de avisar…
Daquela pesada, que esmaga cegamente tudo o que apanha à frente, só que não apanha nada à frente, porque já avisou que vinha.
Artilharia pesada e fã de avisos.
Da inútil, precisamente.
Se me conhecesses minimamente, saberias que essa atitude insegura disfarçada de prepotência só me iria causar pena de ti…
“Vais ver, prepara-te.”
Para quê?
Eu não me preparo… despreparo-me, quando quero.
Despreparo-me. E custa-me.
Muito.
Por isso sorrio quando me dizes para me ir preparando.
Se estou pronto?
Eu estou é à espera.
Faço tudo por uma boa risada.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Entrem e sirvam-se

Isso, entrem todos. Vão embebedar essas racionalidades, já que nem chegam a ter o direito de as usar enquanto sóbrias. Pena que ninguém as use por vós… São milhões delas a irem para o desuso. É um desperdício quase necessário…
Se o que vos dizem lá dentro fosse realmente verdade, esse criador infinitamente sábio não atribuiria o fenómeno do pensamento a quem fosse achar o seu uso demasiado doloroso. Dá-lo-ia somente a quem tem gosto em se magoar em prol de uma milésima de conhecimento, ganha com suor e desespero, e não com reconfortos e atenção dada somente ao que gostam de ouvir.
Entrem, embebedem-se… assim nem irão notar quando outros gozarem com a vossa cara. Vão achar que os sóbrios é que estão bêbados, e isso agradar-vos-á, servirá de tema de conversa para com os vossos idênticos, e irá incentivar-vos a não perder a próxima bebedeira conjunta.
Entrem, fracos… evitem a ressaca mantendo-se embriagados. Foi para isso mesmo que nasceram: para passearem alegremente ao lado da vida, para serem felizes nessa bebedeira, para servirem de termo de comparação aos sóbrios – estúpidos mas conscientes - que por vezes ainda dispensam tempo discutindo com esse álcool que fala por vós.
Entrem, bebam à vontade, que este álcool não tem fim, é servido aos domingos em grandes quantidades, e diariamente em amostras, a troca de algo que não vos passa pela cabeça, mas que aparentemente só tem valor para quem o pede, e para quem não aceita cedê-lo a troco de nada.
Entrem e sirvam-se, vermes, evitem apenas trazer o álcool cá para fora, que eu gosto é de aguinha.